TEMA DE RELEITURA

Em 1962 o cinema brasileiro viveu o ano mais glorioso de sua história: O Pagador de Promessas , dirigido por Anselmo Duarte, foi o filme mais premiado do mundo. Ganhou, inclusive, a Palma de Ouro, do Festival de Cannes, que era o prêmio de maior prestígio no meio cinematográfico.

No festival francês, O Pagador de Promessas (La Parole Donnée) venceu mais de trinta cineastas, entre eles nomes consagrados do cinema mundial: Antonioni, Buñuel, Bresson, Cacoyannis, De Sica, Frankenheimer, Germi, Lumet, Petrovic, Preminger, Ray, Richardson, Urayama, Varda, entre outros.

RELEITURA– Filme selecionado para releitura em 90 segundos na primeira edição do Festival Internacional de Cinema Anselmo Duarte: O Pagador de Promessas

Categoria: Longa-metragem / Sonoro / Ficção

Material original: 35mm, BP, 96min, 2.250m, 24q. Gênero: Drama

Lançamento: Art-Palácio- SP, 6 de agosto de 1962.

SINOPSE: Para cumprir uma promessa a Santa Bárbara, Zé-do-Burro carrega uma cruz nas costas de sua casa no sertão até a Igreja de Santa Bárbara, em Salvador. Rosa, sua esposa, acompanha-o nesta caminhada de sete léguas. Como parte da promessa ele havia dividido seu sítio no interior com os sitiantes mais pobres da região. A caminhada com a cruz até Salvador seria a segunda parte da promessa. Porém, ao chegar com a cruz até a porta da igreja, ele entra em conflito com Padre Olavo, que se horroriza ao tomar conhecimento de que tal promessa havia sido feita para que o melhor amigo de Zé, um burro doente, ficasse curado. Além disso, a promessa fora feita no terreiro de Iansã, mas para Padre Olavo essa diferença é óbvia: Iansã e o candomblé são símbolos do diabo. Assim, ele manda fechar as portas da igreja para que Zé, com a sua cruz, não possa entrar. Do lado de fora, nos degraus da escadaria da Igreja de Santa Bárbara, Zé, sem saber como argumentar e sem sequer entender os motivos de Padre Olavo, fica com a sua cruz e a determinação de pagar sua promessa a qualquer preço. Enquanto isso, Rosa deixa conquistar-se pelo galante Bonitão, um gigolô da vida noturna de Salvador, que lhe dá a oportunidade de sonhar com a cidade e com toda a luxúria que ela poderia oferecer. Dividida entre Zé e Bonitão, Rosa se encontra numa situação cada vez mais oscilante. Zé, que espera diante da igreja, provoca reações e atenções da população de Salvador. Enquanto Padre Olavo procura achar uma saída para uma situação politicamente desfavorável, Zé-do-Burro vai progressivamente e involuntariamente se tornando um herói. Os comerciantes da praça começam a usar a presença de Zé para fazer negócios às suas custas. A imprensa, farejando uma boa história, transforma o ingênuo Zé em uma figura revolucionária, que reparte suas terras com os necessitados, favorável à reforma agrária. O jornal se declara disposto a apoiar a futura carreira política de Zé em troca da exclusividade de sua história. Até o poeta de rua, Dedé, pensa em lucrar com a publicação do sofrimento de Zé. Para agrado da população negra e dos insatisfeitos com a postura de Padre Olavo e da Igreja , Zé decide enfrentar a autoridade católica. A população negra de Salvador se coloca ao lado de Zé, mas ninguém parece querer escutar o que ele tem a dizer. Ele só quer pagar sua promessa. Quando a polícia chega para prendê-lo, produz-se um tumulto, no qual Zé acaba morrendo. E assim ele é transformado de herói involuntário em herói trágico. (Baseado em Cinemais, n.23, maio-jun, 2000)

PRÊMIOS

Argumento/roteiro
Roteiro: Duarte, Anselmo
Diálogos: Gomes, Dias

Direção: Duarte, Anselmo
Assistência de direção: Teles, José
Continuidade: Araujo, Adelice

Direção de fotografia: Fowle, Chick
Câmera: Gabriel, Geraldo
Assistência de câmera: Fraga, Marcial Alfonso
Fotografia de cena: Duarte, Anselmo

Dados adicionais de fotografia
Eletricista: Muromatsu, Antonio; Brimo, Girolamo; Segatio, João Carlos
Maquinista: Santos, R. Plinio dos

Direção de som: Foscolo, Carlos
Engenharia de som: Costa, Juarez
Som direto: Foscolo, Carlos

Montagem: Coimbra, Carlos
Montagem de som: Foscolo, Carlos

Direção de arte: Araujo, José Teixeira de
Figurinos: Segatio, João C.
Cenografia: Araujo, José Teixeira de

Maquiagem: Marques, Gilberto
Assistência de figurino: Segatio, João C.

Trilha musical: Migliori, Gabriel

Canção
Título: Exaltação à Bahia;
Autor da canção: Paiva, Vicente e Garcia, Chianca de;

Título: Cisne branco;
Autor da canção: Santo, Antonio M. E. e Macedo, Benedito X. de;

Título: Dorinha meu amor
Autor da canção: Freitas, José Francisco de

Fontes: Cinemateca Brasileira. SINGH Jr., Oséas. Adeus Cinema: vida e obra de Anselmo Duarte. São Paulo: Massao Ohno, 1993.

logo_palme
logo_salto